sábado, 3 de novembro de 2018

Alunos e DCE promovem Semana de Democracia na Uniso

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“Os caminhos da democracia no Brasil” foram discutidos em uma série de eventos promovidos na Cidade Universitária da Uniso no último mês. O objetivo foi levar informações e conhecimentos aos estudantes sobre a importância da democracia na sociedade.

Durante três dias, alunos de diversos cursos, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade, promoveram rodas de conversa, oficina de stencil para estampar camisetas, mesa redonda e finalizaram com um ato unificado.

Vinicius Viana, presidente do DCE da Uniso, explicou a relevância de atos a favor da democracia. “Esse ato é importante para fortalecer o movimento estudantil na universidade e fortalecer a democracia em tempos em que ela anda tão fragilizada e com tantos ataques de pessoas se declarando fascistas, nazistas, homofóbicas e racistas”.

Renan Machado, aluno de RP, erguendo a bandeira da UEE
(União Estadual dos Estudantes).
Com relação ao ato ocorrer na universidade, Viana, em nome do DCE explica: “A gente entende que a universidade tem seu espaço plural, um espaço para todas as pessoas e essa é a importância de um ato a favor da democracia, para que a gente possa respeitar a grande massa da diversidade que existe e que hoje está dentro da Uniso”.

O ato unificado ocorreu durante o intervalo em frente à biblioteca do campus universitário e teve como atividades rodas de conversa, oficina de cartazes, exposição do mural “Democracia” para os estudantes registrarem o que a palavra significava para eles e microfone aberto para intervenções.

“Esse ato foi um consenso entre os estudantes e o DCE, e nós fizemos justamente para defender nossa democracia. Nós vivemos tempos complicados, tempos confusos até por conta das fakes news, por conta das ebulições das eleições e achamos que fazer esse ato para explicar o que é fascismo, panfletar material. Falar da sociedade que nós queremos que seja democrática é totalmente importante”, explica uma das estudantes de Jornalismo e organizadora do evento, Caroline Queiróz.  

Jovem escreve palavras de ordem no mural da democracia.
No mural “democracia” os alunos que participaram do ato deixaram palavras e mensagens, como: resistência, amor, liberdade e respeito. A estudante de Relações Publicas, Laura Liz participou do ato e deixou sua opinião. “Esse movimento é necessário porque ele é a raiz dos protestos, é a raiz da luta contra o fascismo, contra a opressão. Não está sendo falado aqui de ideologia política, mas sim de direitos humanos. Ainda mais na universidade esses movimentos são importantes, porque da universidade vai para a casa, vai para o trabalho e a gente consegue mais resistência ainda”.




 Texto: Miriã de Almeida - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Fotos: Kally Momesso - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Kit solidário - Ação do curso de Gastronomia troca feijoada por doações para entidade

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Os alunos de Gastronomia da Universidade de Sorocaba (Uniso) organizaram no dia 10 de outubro a 2ª edição do Gastro Kit Solidário, dessa vez em prol do Lar Refúgio. Esse evento conta com a arrecadação de produtos ou alimentos para entidades, em troca dos pratos escolhidos pelos alunos. Este ano, produtos de limpeza foram trocados por uma marmita de feijoada.

Todos os 50 kits de feijoada foram reservados e trocados pelos produtos, entusiasmando os jovens cozinheiros a realizar outras arrecadações como essa, relata a coordenadora do curso, Maria Ângela Severino. Ela comenta também a importância de eventos como esse na carreira dos futuros profissionais, que entram no mercado com uma visão mais altruísta e vontade de ajudar quem precisa.

Com a grande demanda de reservas do Gastro Kit Solidário, Maria Ângela acredita que, além do projeto de arrecadação semestral, iniciado este ano, será possível organizar uma nova arrecadação para o Halloween. Já no 1º semestre de 2019 a comida italiana estará no cardápio solidário, dessa vez com mais kits, para que mais produtos possam chegar às mãos de quem precisa.

O Lar Refúgio, instituição escolhida pelos alunos, é uma associação beneficente e educacional voltada para o acolhimento de crianças e adolescentes. Eles estão constantemente precisando de doações e é possível entrar em contato com eles pelo telefone (15) 3418-4001 ou pela página do facebook Refúgio ACB.




Texto: Kally Momesso -  Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Imagens: Kally Momesso e Laura Helena Souza -  Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

Alunos dos cursos de Comunicação da Uniso produzem curta sobre o município e a região metropolitana

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Os alunos dos cursos de Relações Públicas e Jornalismo da Universidade de Sorocaba (Uniso) estão trabalhando num curta-metragem sobre o município de Sorocaba e a Região Metropolitana, como parte do componente “Comunicação e realidade regional”.

A aluna de Jornalismo Beatriz Oliveira, à frente da direção do curta, explica que o produto deverá reunir traços de vídeo institucional e vídeo-reportagem. “É como uma colagem de diversos olhares e memórias afetivas sobre o município de Sorocaba, refletindo a visão da turma sobre a cidade, que vai além das linhas da estação ferroviária ou dos prédios das antigas indústrias de tecelagem”, diz ela.

O roteiro surgiu a partir de um processo de brainstorming em que os alunos, divididos em núcleos, contribuíram com suas visões particulares. “Atualmente em fase de produção, o curta tem como temas a origem, a história e a evolução de Sorocaba, mas a partir da ótica de pessoas reais, que traduzem a ‘veracidade’ do município”, destaca a aluna de Relações Públicas Thais Martins, à frente do núcleo de roteiro.

Entre as personalidades depoentes do vídeo estão o professor Aldo Vannucchi, primeiro reitor da Uniso, e o padre Evandro Paulim, responsável pela Paróquia de Santa Maria Madalena, no bairro Ouro Fino, um dos participantes da última edição do reality show Master Chef, exibido pela Band.

O objetivo da atividade, segundo o professor Guilherme Profeta, é transpor a lacuna entre teoria e prática. Ele explica que a disciplina ‘Comunicação e realidade regional’ é originalmente uma disciplina teórica, que tem como objetivo capacitar o aluno a compreender como os padrões de produção, distribuição e consumo de mensagens sofrem interferências políticas, sociais e econômicas em Sorocaba e na RMS (região metropolitana). “Em vez de expor ou transmitir um conteúdo, a ideia é criar um ambiente de aprendizagem em que os alunos possam construir esse conteúdo, tornando-o significativo”, define.

O término da produção está previsto para novembro de 2018. Informações sobre a exibição serão divulgadas em breve.



Núcleo de Assessoria de Imprensa da turma: comunicacaouniso@gmail.com

Fotografia - Mostra retrata vida de monges budistas em Myanmar

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A mostra é composta por 24 imagens feitas pelo
fotógrafo Zare Ferragi

A exposição fotográfica “Myanmar: Vozes que Escutam Caladas”, idealizada pelo fotógrafo Zare Ferragi, retrata a vida dos monges budistas de Myanmar. A mostra, que permanece na Biblioteca Municipal até 7 de dezembro, conta com apoio da Secretaria da Cultura e Turismo (Secultur) de Sorocaba e da Pró-Reitoria de Extensão Universitária (Proex) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
 
O objetivo da exposição é apresentar a realidade de monges budistas que passam por mudanças políticas em seu país. Com 24 imagens, o fotógrafo retrata Myanmar, os monges e sua população, realizadas em março de 2007. No momento, o país vivia um regime autoritário, e a fé religiosa um importante refúgio na difícil vida diária dos birmaneses.  
 
Conforme Ferragi, os monges estão em processo de aprendizagem e ensino. Ajudando aos outros, são as vozes que escutam caladas e acreditam na democracia, com a consciência de que podem contribuir para um país melhor.
 
Para o casal Paulo e Fany Ramos, a exposição é instrutiva. “Uma exposição como essa nos traz conhecimento sobre um país pouco abordado”, diz  Paulo. Já para Fany, o que mais chamou a atenção foi a importância da religiosidade inserida na cultura do povo de Myanmar.
 
A visitação à mostra pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h50, e aos sábados e domingos, das 13h às 16h50.A Biblioteca Municipal fica na Rua: Ministro Coqueiro Costa, 180, Alto da Boa Vista. Mais informações pelo telefone: (15) 3228-1955.

 
Texto e imagens: Priscila Neves - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

domingo, 28 de outubro de 2018

O protagonismo feminino em Sorocaba

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Vozes femininas ecoam, indignadas, pelas ruas da cidade de São Paulo. Elas imploram para que não ocorra o retrocesso de suas conquistas. Elas suplicam pelo direito de andar livremente sem que sejam assediadas. Elas entendem, assim como a filósofa Simone de Beauvoir, que basta "uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. O ato refere-se a outubro de 2015, quando milhares de mulheres foram às ruas de grandes cidades brasileiras com o objetivo de manter conquistas, como o direito ao aborto para mulheres estupradas, e combater o machismo.

Três anos depois, em 2018, o acontecimento, nomeado "Primavera Feminista", é tido como um reflexo do aumento de mulheres no movimento feminista em diversas regiões do Brasil. A cidade de Sorocaba não ficou de fora desse tipo de militância.


Giovanna Nunes, Maria Teresa Ferreira e Gabriela Pereira
Gabriela Pereira, macapaense de 31 anos, é uma dessas mulheres. Ela é idealizadora e atual coordenadora geral do Projeto Ampara, que oferece apoio e informações a pessoas com deficiência. O seu primeiro contato com o feminismo se deu através da criação do projeto, em 2017, por meio do qual compartilha sua experiência como mãe de uma criança com deficiência e auxilia pessoas em vulnerabilidade social. Assim, foi inserida em um grupo de movimento de mulheres em Sorocaba e começou a frequentar reuniões. "No início, eu não sabia o que era feminismo. Só queria estar com mulheres que estavam lutando por algum direito".


Gabriela se utilizava das redes sociais, de palestras e de reuniões para dar visibilidade ao movimento social das pessoas com deficiência. Dentro desse contexto, notou a existência das mulheres com deficiência e sentiu a necessidade de encorajá-las a criar seu próprio movimento em Sorocaba. "Ninguém falava sobre a mulher com deficiência, aí eu comecei a levar as demandas que recebia delas". 

A partir disso, Gabriela incentivou a criação da primeira extensão do Projeto Ampara, denominado Ampara Mulher, em que defende e discute políticas públicas voltadas para as mulheres com deficiência. "Eu não tenho nenhuma deficiência, mas eu tenho aprendido muito com elas". Por meio do Ampara Mulher, realizam mensalmente um café aberto ao público para dar oportunidade a mulheres com deficiência de compartilharem experiências pessoais.

Giovanna Nunes, 22 anos, estudante de Direito e integrante do coletivo interseccional feminista Rosa Lilás, por sua vez, afirma que o seu contato com o feminismo surgiu na internet, por meio da qual conheceu o Rosa Lilás e começou a acompanhar as reuniões do coletivo. "Seguimos a linha do feminismo interseccional, pois acreditamos que se não abranger todas as mulheres, muitas outras ficarão excluídas. Entendemos que o feminismo tem que englobar todas as mulheres”.

Ela ressalta que, além da página no Facebook, o coletivo busca distribuir panfletos como meio de informar a população. Em relação às atividades que realizam com as mulheres, organizam cine debates, rodas de conversa e piqueniques. "Os piqueniques são uma forma que encontramos para trazer as mulheres para dar aquele pontapé. Quando tem comida e uma roda de conversa com assuntos mais amenos, conseguimos fazer as coisas fluírem mais naturalmente".  

Já a integrante do Movimento de Mulheres Negras de Sorocaba (Momunes), Maria Teresa, começou a ter contato com o feminismo através da filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por meio do qual esteve próxima a movimentos sociais. Entretanto, conheceu o feminismo negro por meio da União de Negros pela Igualdade (Unegro). Atualmente, busca colocar o racismo e o preconceito como tema central dos debates de que participa.  “Vivemos em um país aonde o racismo é estrutural e compõe as relações. As mulheres negras estão mais fragilizadas nessas relações raciais, pois vem de uma construção histórica que se dá a partir da escravidão”.

Ela afirma que leva a discussão sobre o feminismo negro, com o apoio da Coordenadoria de Igualdade Social, para a Secretaria da Educação. Também retrata o mesmo tema em escolas e Conselhos Municipais. "Sempre que somos chamados para falar sobre o racismo, fazemos o recorte do feminismo negro como um elemento da luta das mulheres e transformação da sociedade", destaca. 

Maria Teresa Ferreira é integrante do Momunes



Dificuldades enfrentadas pelos movimentos

Em relação aos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência em Sorocaba, a idealizadora do Projeto Ampara destaca três: saúde, educação e transporte. Sobre saúde, sente a necessidade de especialistas na área e afirma observar dificuldades para conseguir recursos como medicamentos, fraldas e realização de exames. Já na área do transporte, critica a falta de acessibilidade e ônibus antigos que costumam quebrar frequentemente. Além disso, Gabriela ressalta os desafios enfrentados pelas mulheres com deficiência no feminismo. "A mulher com deficiência às vezes está querendo falar, mesmo em rodas de conversa, mas ela não é ouvida. Por isso precisamos que o movimento feminista esteja pronto para reconhecer essas mulheres".

Do mesmo modo, Giovanna destaca como dificuldade enfrentada pelas sorocabanas a falta de diálogo entre as redes de apoio para mulheres. Dessa forma, relembra uma ocasião em que o Rosa Lilás realizou um abaixo-assinado para que a Delegacia da Mulher funcionasse vinte e quatro horas por dia. Conseguiram mais de dez mil assinaturas e obtiveram como resposta a indisponibilidade de renda do governo estadual para atender ao pedido. "Nós fizemos também uma pesquisa com relação ao mapa da violência da mulher em Sorocaba. A cada quarenta dias, uma mulher é vítima de feminicídio. Então não é uma coisa isolada. Mulheres estão morrendo por conta da omissão do estado e do município".

A integrante do Rosa Lilás também ressalta a dificuldade enfrentada pelo coletivo no momento de levar pautas do feminismo para serem discutidas em escolas. Giovanna afirma que quando cedem espaço nas escolas para conversarem com os alunos, oferecem um tempo muito reduzido, equivalente à aula de apenas um professor. "Entendemos que a fase da adolescência é muito importante para as meninas descobrirem o empoderamento, pois é aí que começam os relacionamentos afetivos".

Já Teresa afirma a falta de informação como uma dificuldade. Além disso, faz uma reflexão sobre o movimento negro em Sorocaba. "Temos pessoas que se colocam como movimento negro, e isso é muito difícil de lidar porque hoje em dia não discutimos mais o movimento negro enquanto o movimento que fala só a respeito do preconceito. Hoje discutimos questões raciais. Em Sorocaba tenho a sensação de que ficou todo mundo muito estagnado nessas lutas pessoais de vaidade, poder ou demarcação de território, o que acabou fragmentando o movimento". Também elogia a nova gestão do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e coletivos feministas de Sorocaba, os quais, segundo ela, possuem uma visão mais ampliada e discutem essas questões sociais.





Participação política

Em relação à participação das pessoas com deficiência na política, Gabriela destaca benefícios dados e segregação por deficiência dentro do movimento PcD como dificuldades. "Todas as pessoas que me procuram querem fazer um projeto de lei para dar algo de graça. Não é isso que queremos. Se todos conseguem trabalhar, por que a pessoa com deficiência não pode estar no mercado de trabalho e ter autonomia para fazer o que todos fazem? Vai ter que adaptar e vai demorar um pouco, mas nós queremos isso: dignidade".

Por outro lado, ao comentar sobre a participação feminina na política de Sorocaba local em que apenas duas mulheres foram eleitas vereadoras na última eleição , Giovanna e Teresa destacam as cotas de candidaturas por gênero nos partidos políticos como recursos ainda utilizados apenas para estar de acordo com a lei, e não efetivamente para fazer com que mulheres realmente ganhem eleições.

Giovanna também faz uma análise do cotidiano: "Eu acho que tem a questão de que nós mulheres não fomos ensinadas que estar dentro da política é um ato e lugar para nós. Quando estamos em reunião de churrasco de família, onde estão as mulheres? Elas estão cuidando dos filhos, lavando louça e fazendo a comida. Enquanto isso, os homens estão conversando sobre a política. Inclusive, quando tem mulheres que entram nesses debates com a família, é muito fácil você ver a opinião delas sendo relativizada".

Do mesmo modo, Maria Teresa afirma que a questão do voto é reflexo de uma sociedade sorocabana que ainda é conservadora. E acredita que a união feminina pode aumentar o número de mulheres em cargos políticos nas próximas eleições. "Estamos vendo, por exemplo, nesse movimento contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro o peso da mobilização feminina. Então, a partir do momento em que as mulheres vão tendo mais capacidade de olhar para si como agente transformador, mais elas vão se libertar dos grilhões que a prendem. Você vai se desprendendo desses indicadores de feminilidade para poder alcançar um posto maior: o de ser agente de transformação".





Texto: Carol Fernandes - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Imagens: Arquivo Pessoal

Curso de Estética fará caracterizações com o tema Halloween

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Nessa segunda-feira (29), o curso de Estética da Universidade de Sorocaba (Uniso) realizará um evento com temática de Halloween. A partir das 7h40, os alunos farão a produção (cabelo, maquiagem e caracterização) voltada para a data comemorativa. As modelos participantes serão produzidas no laboratório do bloco C e, a partir das 9h15 percorrerão a Cidade Universitária para um ensaio fotográfico. As imagens externas serão realizadas até 11h e poderão ser acompanhadas pelo público.

A coordenação do evento é da professora Célia Marisa de Oliveira, com os alunos do 4° período na disciplina de Corte ll.




Texto: Giovanna Loureiro Abbate - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Imagem: Divulgação

Das pistas para as ruas

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Carros alinhados em uma grande avenida com pouco movimento, os roncos dos escapamentos quebram o silêncio da noite tranquila, ecoando sobre a estrada. Faróis iluminam o asfalto, enquanto os pilotos se concentram para conseguir o melhor rendimento possível. Após o sinal de largada, os roncos se transformam nos pneus gritando e tentando tracionar o carro no asfalto, jogando toda a potência dos motores preparados para o chão. A sensação de liberdade a 200 km/h em busca de apenas um objetivo: chegar primeiro, deixando todos os outros carros e pilotos comendo poeira.

Essa era uma das rotinas vividas pelo estudante de Engenharia Fernando Sousa, 21 anos. Vindo de uma família de classe média, Fernando conta que seus interesses por carros começaram com os filmes da saga Velozes e Furiosos e que, após completar 18 anos e ter sua CNH em mãos, seu contato com esse mundo só aumentou: “Quando comprei meu primeiro carro, fui conhecendo o pessoal na faculdade e também nas ruas. Às vezes fazia uma ‘brincadeira’ com alguém e acabava trocando contatos. Assim fui conhecendo as pessoas e me enturmando”. Brincadeiras, segundo Fernando, era a forma que os participantes usavam para se referir aos rachas.

As corridas de rua, ou rachas, acontecem com frequência em todo o Brasil. Muitos encontros de carros noturnos têm esta finalidade, juntar os apaixonados por velocidade e motores ocasionando disputas de ego para descobrir quem é o melhor piloto ou tem melhor o veículo. Além desses encontros, acontecem também as disputas casuais em que pessoas que gostam dessa prática acabam se encontrando na rua e praticam o racha, em meio a veículos e a luz do dia.

Fernando diz que a prática desse ato leva a uma sensação muito boa, de liberdade. No momento das corridas, as consequências e problemas que podem ocorrer são deixados de lado e, em seu lugar, resta um desejo de não perder para os demais.

Porém, hoje, Fernando mudou seus hábitos: “Infelizmente, antes de eu me tocar de o quanto isso poderia ser sério, acabei sofrendo um acidente e destruí meu carro. Na hora do acidente foi isto que pensei: ‘Acabei com meu carro’. Porém existem outros fatores em que parei para pensar após o acidente, enquanto esperava retirarem o carro: eu poderia ter atropelado alguém, poderia ter batido no carro de outras pessoas, machucado ou até matado. Nessa hora, acredito que para muitos, passe como um filme na cabeça e o ‘e se’ acaba pesando, fazendo-nos refletir sobre aquelas atitudes que temos sem pensar e que, em apenas segundos, podem mudar nossas vidas para sempre ou até mesmo tirá-las de nós.”

Após o acidente, Fernando não perdeu sua paixão por carros, somente trocou por algo mais responsável e seguro em eventos fechados. “Conheci os eventos através de amigos que gostam de carro. Muitos que praticavam racha nas ruas acabaram mudando o ‘foco’ de seus carros e começaram a andar nas pistas. Os eventos têm total infraestrutura com segurança, ambulância e ambientes controlados. Nas ruas podemos nos machucar e machucar pessoas a todo momento.”


EVENTOS NO BRASIL E NO EXTERIOR
Esses eventos ocorrem por todo o território nacional e são chamados de Track Days (eventos em autódromos, onde o principal foco é ter seu tempo de volta cada vez mais baixo e sua disputa é consigo mesmo) ou de Arrancada (disputa entre dois carros em linha reta, geralmente de 201 ou 402 metros). Os custos para participar desses eventos, com total infraestrutura e segurança, podem variar entre R$ 200,00 e R$ 2.000,00 dependendo do tipo. Nesses eventos, o participante entra com seu carro de uso normal, passa por uma inspeção dos itens de segurança para ser considerado apto a andar. Em sua maioria, os eventos contam com briefing (orientações gerais) e instrutores qualificados para dar dicas de como funciona o evento e de como se comportar com seu carro durante sua participação — orientações sobre a pista, sobre como deixar carros mais rápidos e ultrapassar sem riscos, tipos de bandeira e informações básicas que o participante precisa saber.

Um dos organizadores desses eventos no Brasil e mundo a fora, Guilherme Santiago, conta que antigamente a Arrancada era muito insipiente, pouco conhecida, e que hoje a realidade para ambos eventos é totalmente diferente. A empresa de Santiago realiza eventos todos os meses, de modo que uma das frases muito utilizadas, “eu acelero na rua por falta de opção”, não é mais válida. “Você pode pegar seu carro de rua normal, seja ele esportivo ou não, levar para o autódromo, acelerar em local seguro sem preocupações de atropelar pessoas, com áreas de escape generosas, sem arvores ou postes”, diz Santiago.

“A princípio, não podemos ser falsos moralistas e hipócritas: quem nunca deu uma acelerada na rua com o carro, especialmente quando se é mais jovem, um pouco mais inconsequente e recém habilitado?”, questiona ele. “Na minha época, por exemplo, não existia a opção de você acelerar o carro no autódromo. Nem se imaginava que iriam ocorrer os Track Days, como já ocorrem há 20 ou 30 anos em países europeus e nos Estados Unidos. No Brasil mal se falava em eventos de pista a não ser os profissionais”, diz.

Fora do Brasil, os interessados têm mais opções. A exemplo da Alemanha, onde a pista de Nürburgring tem abertura praticamente diária, o participante que deseja andar nos seus 20,832km de extensão deve apenas comprar o RingCard (como um cartão de crédito) e pagar pelo número de voltas que deseja percorrer, entrando na pista com seu veículo. Existem até locadoras especializadas no local, onde você pode alugar um veículo preparado para se divertir. É uma forma de o governo incentivar a prática segura do esporte.

Segundo Santigado, nossa realidade é bem diferente: “No Brasil, a maior dificuldade de um organizador são os trâmites burocráticos aliados aos altos preços de aluguéis dos autódromos. Este é nosso maior problema para se fazer um evento hoje: o valor cobrado para aluguel. Os Track Days têm crescido bastante no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, inclusive nos Estados Unidos o próprio governo incentiva esse tipo de evento, fornecendo para os organizadores ambulâncias, carros de bombeiro e polícia. Então você acaba tirando esse custo do evento, barateando a inscrição. No Brasil, ainda não estamos nesse nível. Mas estamos crescendo cada vez mais e isso é muito bem-vindo; torcemos para que continue assim pois essa é uma modalidade muito bacana, aguardamos que o crescimento continue e que mais pessoas tenham acesso e possam participar”.


OPORTUNIDADES DE MERCADO
Esse tipo de eventos também acaba gerando mais receita para quem trabalha na área de preparação automotiva. Segundo o preparador e comerciante de acessórios Ronaldo Lemos, da AFR Performance, o mercado acabou sofrendo mudanças ao longo das transformações dos eventos e a demanda de preparação dos veículos de rua.

“Antigamente, nossas preparações eram limitadas e contavam com poucos recursos nacionais. Para se ter um carro rápido e competitivo, o dono tinha que investir muito dinheiro e, mesmo assim, o resultado não era confiável pois elevávamos as potências dos carros em 200% e as quebras se tornavam frequentes. Muitos desistiam de preparar seus carros por conta das dificuldades de andar com os veículos nas ruas. Hoje, além de locais seguros e regulamentados para a prática, o mercado nacional e de importação cresceu muito e nós temos ótimos produtos disponíveis, facilitando nosso trabalho e aumentando a durabilidade dos componentes e do próprio carro”, diz.

Além disso, ele acrescenta que os fabricantes de veículos também têm investido muito em tecnologia, e com a entrada do downsizing (termo utilizado pelos fabricantes para motores de menor cilindrada, porém sobrealimentados ou, como popularmente chamados, turbinados) é possível também elevar o nível das preparações. “Há dez anos, para se tirar 300 cavalos de um motor, era necessário um investimento de pelo menos R$ 20.000, em meio a muitas dificuldades, com pelo menos dez dias de trabalho. Hoje, com R$ 5.000 é possível extrair esses mesmos 300 cavalos, com muita mais segurança e durabilidade, em apenas três horas de serviço”, conclui Ronaldo.



Texto: Thiago Afonso - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)