terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Você sabe o que são filmes cult?

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A história e curiosidades sobre o filme são apresentadas antes da exibição





The Rocky Horror Picture Show (1975), filme norte-americano de terror e comédia, passou a ser classificado como cult após ser exibido nas Sessões Malditas em Nova York. Esse evento tinha como objetivo passar filmes cultuados por um público que se vestia como os personagens das telas, cantava todas as músicas das obras cinematográficas e encenava trechos durante a projeção dos filmes em sessões à meia-noite. Cult também são consideradas as produções que estão fora do circuito comercial, mas que têm atraído cada vez mais admiradores.

“Filmes Cult nas Quartas” é o nome do evento para esse público e que acontece na Biblioteca Infantil de Sorocaba quinzenalmente e de graça. O projeto é uma inciativa da Academia Sorocabana de Fotografia Cinema e Vídeo, em parceria com a Secretaria de Cultura de Sorocaba e com a Biblioteca Infantil.

Segundo Cleiner Micceno, presidente da Academia Sorocabana de Fotografia, Cinema e Vídeo, filmes cult são cultuados por um grupo ou por muitas pessoas, por motivos variados, mas que muita gente não sabe o que é. “As pessoas costumam achar que filmes cult são aqueles difíceis de entender, em preto e branco, estranhos, rodados na Indonésia”, diz o presidente que também é produtor e diretor de cinema, fotógrafo, roteirista, curador de mostra e ministra cursos de cinema há mais de 15 anos. 

Nas exibições de filmes às quartas, as produções selecionadas são transmitidas por um projetor numa tela sob uma lona com arquibancadas em volta para a plateia no quintal da Biblioteca Infantil de Sorocaba. O programa ocorre há 5 anos e começou na Oficina Cultural Grande Otelo. “Com o fechamento daquele espaço, ficamos sem local para fazer a transmissão dos filmes. Então entramos em acordo com a Secretaria de Cultura, e a Biblioteca Infantil cedeu o espaço. Assim continuamos o projeto”, conta Cleiner. Após a exibição, todos conversam sobre curiosidades e impressões do filme e debatem questões nele abordadas.

As escolhas de Cleiner como curador levam em conta a oportunidade de acesso do público às produções. “Eu trago filmes que normalmente as pessoas não veriam em outra sala de cinema”. Já foram exibidos clássicos de terror da Universal como Drácula e Frankenstein, filmes mais recentes como A Onda e Corra, Lola, Corra, Quadrophenia, Tommy, a Ópera de Rock, documentários como A Band Called Death e até mesmo o Star Wars turco.

Exibição do filme Cry Baby (John Waters, 1990) no dia 30 de janeiro




Cleiner preparando o filme a ser transmitido pelo projetor




Pedro Furquim, 19 anos e estudante do 3° semestre de Cinema da Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio), frequenta as exibições na biblioteca desde 2017 e se considera um amante da sétima arte. “Algo que o Cleiner disse uma vez e que me chamou a atenção, foi ‘Uma cidade sem cinema é como uma casa sem janelas’. Eu acho que o Filmes Cult nas Quartas é uma janela aberta para a mente dos participantes tanto por causa dos questionamentos e opiniões discutidos no final, quanto por causa dos filmes mais independentes e antigos, que abrem janelas para outros países”, conta o estudante. “O foco aqui são filmes cultuados por uma minoria, como pessoas que admiram o cinema não só como diversão, mas também como arte.”


"O cinema foi criado para ser visto em telas grandes e não dentro de uma caixa", diz o curador do cinema
(Imagem: screenshot de documentário "Filmes cult nas quartas" de Pedro Furquim)










O Filmes Cult nas Quartas acontece em quartas alternadas, ocorrendo em fevereiro nos dias 13 e 27, e assim por diante ao longo do ano. É iniciado às 19h na Biblioteca Infantil Municipal na Rua da Penha, 673 – Centro. A página do Facebook Biblioteca Infantil de Sorocaba compartilha os links dos eventos quinzenais.




Texto e fotos: Giovanna Abbate - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O desafio da mobilidade urbana em Sorocaba

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A exemplo de outros grandes centros, o trânsito congestionado na cidade
é uma realidade que demanda um sistema eficiente de transporte coletivo





Em um momento em que o tema da mobilidade urbana é bastante discutido, Sorocaba tem apresentado uma condição complicada de locomoção viária, sobretudo nos horários de maior movimento dos dias úteis. Congestionamentos e ônibus cheios indicam que alternativas de transporte coletivo se fazem adequadas para aliviar as principais vias da cidade.

A funcionária pública Fernanda Mariano, de 36 anos, utiliza diariamente os ônibus e considera que as pessoas que preferem se locomover com seus carros o fazem devido ao conforto, à segurança e à garantia de chegar no horário em seus compromissos. “Para incentivar as pessoas a deixar seus veículos em casa e utilizar o serviço público de transporte, deve haver benefícios como ônibus menos lotados, mais segurança nos pontos, rapidez na chegada e no trajeto, além da regularidade nos horários”.

Nesse sentido, a Prefeitura de Sorocaba iniciou, em setembro, as obras para a instalação de um sistema de ônibus rápido na cidade chamado BRT (Bus Rapid Transit). O projeto inicial é de duas linhas que interligarão a Zona Norte à Sul e a Zona Leste à Oeste. Essa alternativa de transporte contará com 68 quilômetros de corredores, sendo uma parte restrita para os ônibus, com desembarque pela esquerda dos coletivos, e outra de faixas exclusivas, com acesso pela direita dos veículos.

De acordo com a prefeitura, a previsão é de que o sistema, que será integrado aos terminais São Paulo e Santo Antônio, seja entregue até setembro de 2020 e atenda entre 150 mil e 180 mil passageiros por dia, reduzindo o tempo das viagens em até 20%.

Fernanda considera que o atual sistema de transporte público é caro, demorado e desconfortável pela lotação, mas se diz otimista com a chegada dos ônibus rápidos. “Espero que melhore o fluxo do trânsito e dê mais conforto aos passageiros durante o trajeto”.

Ainda conforme informações da Prefeitura de Sorocaba, a linha Norte-Sul percorrerá a Avenida Itavuvu, Avenida Ipanema, Rua Comendador Oeterer, Rua Hermelino Matarazzo, Terminal Santo Antônio, seguindo até a Avenida Antônio Carlos Cômitre. Os ônibus da linha Leste-Oeste transitarão pela Avenida São Paulo, Terminal São Paulo, Centro, Avenida Gal. Carneiro e Avenida Armando Pannunzio.

Trens suburbanos de superfície

Outra possibilidade de transporte coletivo para uma cidade que está chegando a 650 mil habitantes e é, desde 2014, sede da RMS (Região Metropolitana de Sorocaba), seria a implantação do modal ferroviário de superfície.

A concepção, mencionada em entrevistas pelo prefeito José Crespo inicialmente para interligar Sorocaba a São Paulo, poderia se expandir às cidades vizinhas. Fernanda acredita que esse sistema de locomoção por trilhos beneficiaria muito os moradores locais. “Linhas de trens suburbanas poderiam melhorar bastante a qualidade do transporte na região, pois as viagens de Sorocaba para outras cidades levariam menos tempo e acho que o valor das passagens poderia ser mais acessível aos usuários”, opina a funcionária pública.

Esse sistema de trens de superfície poderia aproveitar algumas linhas já existentes, a área de 199 mil metros quadrados do complexo ferroviário, além do histórico da cidade de ser o berço de uma das ferrovias mais tradicionais do país, a Estrada de Ferro Sorocabana.

Eric Mantuan, de 27 anos, é jornalista e pesquisador do modal ferroviário. Para ele, a instalação da estrada de ferro deu início ao ciclo econômico mais importante da cidade. “Sem desmerecer os períodos do tropeirismo e das indústrias têxteis, pois cada um teve sua importância para o desenvolvimento de Sorocaba, mas o que fez a cidade sair do patamar que tinha no cenário de 1870 e ter a influência de hoje, como sede de uma região metropolitana, foi a ferrovia”.

Eric, que também é presidente da Associação Movimento de Preservação Ferroviária do Trecho Sorocabana, salienta que todo país com planejamento de mobilidade urbana que priorize a eficiência deveria considerar a utilização das vias férreas. “Uma das principais vantagens do transporte por trilhos é a ausência de congestionamento. Além disso, o trem polui menos; é mais barato, porque pode levar muito mais pessoas; é mais seguro; e é mais confortável”, argumenta ele.

Heranças da Estrada de Ferro Sorocabana

Quem transita pelas ruas e avenidas de Sorocaba inevitavelmente se depara com as marcas e reflexos do que a Estrada de Ferro Sorocabana legou à cidade. Seja de ônibus, de carro, de bicicleta ou mesmo durante uma caminhada, a herança da ferrovia se apresenta até aos olhares mais desatentos.
 
Estação Ferroviária de Sorocaba, atualmente. O local, inaugurado em 1875 e
reformado e ampliado em 1930, foi porta de entrada para o desenvolvimento da cidade.
Inaugurada em 1875, a linha férrea inicialmente ligava Sorocaba a São Paulo e tinha como objetivo principal transportar a produção de algodão da região para suprir a demanda fabril inglesa à época. A influência da Sorocabana, constituída desde esse período, está presente não só nos patrimônios materiais como a estação e os trilhos, mas também na formação demográfica e geográfica dos bairros da cidade, tendo sido fundamental em seu desenvolvimento econômico.

A implantação da linha férrea proporcionou a vinda de diversas fábricas têxteis para a região entre o final do século XIX e começo do século XX, fato que mais tarde tornou Sorocaba conhecida por Manchester Paulista. O apelido fazia referência à cidade inglesa de Manchester, considerada um grande polo industrial àquele momento.

O economista Geraldo Almeida, de 56 anos, explica essa ligação. “A partir da chegada da ferrovia, temos a gênese da indústria têxtil em Sorocaba, aproveitando o algodão e as pré-condições existentes para a instalação de fábricas de tecidos. São ciclos interligados, pois um fato vai puxando o outro. A estrada de ferro mudou o caráter econômico da cidade e atraiu a industrialização”.

Ainda segundo o economista, no começo do século XX, ou se trabalhava na ferrovia ou na indústria têxtil. Ele também explica como a condição geográfica dos bairros foram influenciados pela estrada de ferro. “O que hoje conhecemos como Além Linha e Além Ponte surgiram como vilas operárias. A ferrovia foi um fator de transformação e acabou mudando o perfil de Sorocaba em vários sentidos”, ressalta Geraldo. 




Texto: Eduardo Sorrilha - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Fotos: Divulgação - / Prefeitura de Sorocaba | Eduardo Sorrilha - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

sábado, 3 de novembro de 2018

Alunos e DCE promovem Semana de Democracia na Uniso

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“Os caminhos da democracia no Brasil” foram discutidos em uma série de eventos promovidos na Cidade Universitária da Uniso no último mês. O objetivo foi levar informações e conhecimentos aos estudantes sobre a importância da democracia na sociedade.

Durante três dias, alunos de diversos cursos, em parceria com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade, promoveram rodas de conversa, oficina de stencil para estampar camisetas, mesa redonda e finalizaram com um ato unificado.

Vinicius Viana, presidente do DCE da Uniso, explicou a relevância de atos a favor da democracia. “Esse ato é importante para fortalecer o movimento estudantil na universidade e fortalecer a democracia em tempos em que ela anda tão fragilizada e com tantos ataques de pessoas se declarando fascistas, nazistas, homofóbicas e racistas”.

Renan Machado, aluno de RP, erguendo a bandeira da UEE
(União Estadual dos Estudantes).
Com relação ao ato ocorrer na universidade, Viana, em nome do DCE explica: “A gente entende que a universidade tem seu espaço plural, um espaço para todas as pessoas e essa é a importância de um ato a favor da democracia, para que a gente possa respeitar a grande massa da diversidade que existe e que hoje está dentro da Uniso”.

O ato unificado ocorreu durante o intervalo em frente à biblioteca do campus universitário e teve como atividades rodas de conversa, oficina de cartazes, exposição do mural “Democracia” para os estudantes registrarem o que a palavra significava para eles e microfone aberto para intervenções.

“Esse ato foi um consenso entre os estudantes e o DCE, e nós fizemos justamente para defender nossa democracia. Nós vivemos tempos complicados, tempos confusos até por conta das fakes news, por conta das ebulições das eleições e achamos que fazer esse ato para explicar o que é fascismo, panfletar material. Falar da sociedade que nós queremos que seja democrática é totalmente importante”, explica uma das estudantes de Jornalismo e organizadora do evento, Caroline Queiróz.  

Jovem escreve palavras de ordem no mural da democracia.
No mural “democracia” os alunos que participaram do ato deixaram palavras e mensagens, como: resistência, amor, liberdade e respeito. A estudante de Relações Publicas, Laura Liz participou do ato e deixou sua opinião. “Esse movimento é necessário porque ele é a raiz dos protestos, é a raiz da luta contra o fascismo, contra a opressão. Não está sendo falado aqui de ideologia política, mas sim de direitos humanos. Ainda mais na universidade esses movimentos são importantes, porque da universidade vai para a casa, vai para o trabalho e a gente consegue mais resistência ainda”.




 Texto: Miriã de Almeida - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Fotos: Kally Momesso - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Kit solidário - Ação do curso de Gastronomia troca feijoada por doações para entidade

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Os alunos de Gastronomia da Universidade de Sorocaba (Uniso) organizaram no dia 10 de outubro a 2ª edição do Gastro Kit Solidário, dessa vez em prol do Lar Refúgio. Esse evento conta com a arrecadação de produtos ou alimentos para entidades, em troca dos pratos escolhidos pelos alunos. Este ano, produtos de limpeza foram trocados por uma marmita de feijoada.

Todos os 50 kits de feijoada foram reservados e trocados pelos produtos, entusiasmando os jovens cozinheiros a realizar outras arrecadações como essa, relata a coordenadora do curso, Maria Ângela Severino. Ela comenta também a importância de eventos como esse na carreira dos futuros profissionais, que entram no mercado com uma visão mais altruísta e vontade de ajudar quem precisa.

Com a grande demanda de reservas do Gastro Kit Solidário, Maria Ângela acredita que, além do projeto de arrecadação semestral, iniciado este ano, será possível organizar uma nova arrecadação para o Halloween. Já no 1º semestre de 2019 a comida italiana estará no cardápio solidário, dessa vez com mais kits, para que mais produtos possam chegar às mãos de quem precisa.

O Lar Refúgio, instituição escolhida pelos alunos, é uma associação beneficente e educacional voltada para o acolhimento de crianças e adolescentes. Eles estão constantemente precisando de doações e é possível entrar em contato com eles pelo telefone (15) 3418-4001 ou pela página do facebook Refúgio ACB.




Texto: Kally Momesso -  Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Imagens: Kally Momesso e Laura Helena Souza -  Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

Alunos dos cursos de Comunicação da Uniso produzem curta sobre o município e a região metropolitana

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Os alunos dos cursos de Relações Públicas e Jornalismo da Universidade de Sorocaba (Uniso) estão trabalhando num curta-metragem sobre o município de Sorocaba e a Região Metropolitana, como parte do componente “Comunicação e realidade regional”.

A aluna de Jornalismo Beatriz Oliveira, à frente da direção do curta, explica que o produto deverá reunir traços de vídeo institucional e vídeo-reportagem. “É como uma colagem de diversos olhares e memórias afetivas sobre o município de Sorocaba, refletindo a visão da turma sobre a cidade, que vai além das linhas da estação ferroviária ou dos prédios das antigas indústrias de tecelagem”, diz ela.

O roteiro surgiu a partir de um processo de brainstorming em que os alunos, divididos em núcleos, contribuíram com suas visões particulares. “Atualmente em fase de produção, o curta tem como temas a origem, a história e a evolução de Sorocaba, mas a partir da ótica de pessoas reais, que traduzem a ‘veracidade’ do município”, destaca a aluna de Relações Públicas Thais Martins, à frente do núcleo de roteiro.

Entre as personalidades depoentes do vídeo estão o professor Aldo Vannucchi, primeiro reitor da Uniso, e o padre Evandro Paulim, responsável pela Paróquia de Santa Maria Madalena, no bairro Ouro Fino, um dos participantes da última edição do reality show Master Chef, exibido pela Band.

O objetivo da atividade, segundo o professor Guilherme Profeta, é transpor a lacuna entre teoria e prática. Ele explica que a disciplina ‘Comunicação e realidade regional’ é originalmente uma disciplina teórica, que tem como objetivo capacitar o aluno a compreender como os padrões de produção, distribuição e consumo de mensagens sofrem interferências políticas, sociais e econômicas em Sorocaba e na RMS (região metropolitana). “Em vez de expor ou transmitir um conteúdo, a ideia é criar um ambiente de aprendizagem em que os alunos possam construir esse conteúdo, tornando-o significativo”, define.

O término da produção está previsto para novembro de 2018. Informações sobre a exibição serão divulgadas em breve.



Núcleo de Assessoria de Imprensa da turma: comunicacaouniso@gmail.com

Fotografia - Mostra retrata vida de monges budistas em Myanmar

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A mostra é composta por 24 imagens feitas pelo
fotógrafo Zare Ferragi

A exposição fotográfica “Myanmar: Vozes que Escutam Caladas”, idealizada pelo fotógrafo Zare Ferragi, retrata a vida dos monges budistas de Myanmar. A mostra, que permanece na Biblioteca Municipal até 7 de dezembro, conta com apoio da Secretaria da Cultura e Turismo (Secultur) de Sorocaba e da Pró-Reitoria de Extensão Universitária (Proex) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
 
O objetivo da exposição é apresentar a realidade de monges budistas que passam por mudanças políticas em seu país. Com 24 imagens, o fotógrafo retrata Myanmar, os monges e sua população, realizadas em março de 2007. No momento, o país vivia um regime autoritário, e a fé religiosa um importante refúgio na difícil vida diária dos birmaneses.  
 
Conforme Ferragi, os monges estão em processo de aprendizagem e ensino. Ajudando aos outros, são as vozes que escutam caladas e acreditam na democracia, com a consciência de que podem contribuir para um país melhor.
 
Para o casal Paulo e Fany Ramos, a exposição é instrutiva. “Uma exposição como essa nos traz conhecimento sobre um país pouco abordado”, diz  Paulo. Já para Fany, o que mais chamou a atenção foi a importância da religiosidade inserida na cultura do povo de Myanmar.
 
A visitação à mostra pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h50, e aos sábados e domingos, das 13h às 16h50.A Biblioteca Municipal fica na Rua: Ministro Coqueiro Costa, 180, Alto da Boa Vista. Mais informações pelo telefone: (15) 3228-1955.

 
Texto e imagens: Priscila Neves - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)

domingo, 28 de outubro de 2018

O protagonismo feminino em Sorocaba

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Vozes femininas ecoam, indignadas, pelas ruas da cidade de São Paulo. Elas imploram para que não ocorra o retrocesso de suas conquistas. Elas suplicam pelo direito de andar livremente sem que sejam assediadas. Elas entendem, assim como a filósofa Simone de Beauvoir, que basta "uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados”. O ato refere-se a outubro de 2015, quando milhares de mulheres foram às ruas de grandes cidades brasileiras com o objetivo de manter conquistas, como o direito ao aborto para mulheres estupradas, e combater o machismo.

Três anos depois, em 2018, o acontecimento, nomeado "Primavera Feminista", é tido como um reflexo do aumento de mulheres no movimento feminista em diversas regiões do Brasil. A cidade de Sorocaba não ficou de fora desse tipo de militância.


Giovanna Nunes, Maria Teresa Ferreira e Gabriela Pereira
Gabriela Pereira, macapaense de 31 anos, é uma dessas mulheres. Ela é idealizadora e atual coordenadora geral do Projeto Ampara, que oferece apoio e informações a pessoas com deficiência. O seu primeiro contato com o feminismo se deu através da criação do projeto, em 2017, por meio do qual compartilha sua experiência como mãe de uma criança com deficiência e auxilia pessoas em vulnerabilidade social. Assim, foi inserida em um grupo de movimento de mulheres em Sorocaba e começou a frequentar reuniões. "No início, eu não sabia o que era feminismo. Só queria estar com mulheres que estavam lutando por algum direito".


Gabriela se utilizava das redes sociais, de palestras e de reuniões para dar visibilidade ao movimento social das pessoas com deficiência. Dentro desse contexto, notou a existência das mulheres com deficiência e sentiu a necessidade de encorajá-las a criar seu próprio movimento em Sorocaba. "Ninguém falava sobre a mulher com deficiência, aí eu comecei a levar as demandas que recebia delas". 

A partir disso, Gabriela incentivou a criação da primeira extensão do Projeto Ampara, denominado Ampara Mulher, em que defende e discute políticas públicas voltadas para as mulheres com deficiência. "Eu não tenho nenhuma deficiência, mas eu tenho aprendido muito com elas". Por meio do Ampara Mulher, realizam mensalmente um café aberto ao público para dar oportunidade a mulheres com deficiência de compartilharem experiências pessoais.

Giovanna Nunes, 22 anos, estudante de Direito e integrante do coletivo interseccional feminista Rosa Lilás, por sua vez, afirma que o seu contato com o feminismo surgiu na internet, por meio da qual conheceu o Rosa Lilás e começou a acompanhar as reuniões do coletivo. "Seguimos a linha do feminismo interseccional, pois acreditamos que se não abranger todas as mulheres, muitas outras ficarão excluídas. Entendemos que o feminismo tem que englobar todas as mulheres”.

Ela ressalta que, além da página no Facebook, o coletivo busca distribuir panfletos como meio de informar a população. Em relação às atividades que realizam com as mulheres, organizam cine debates, rodas de conversa e piqueniques. "Os piqueniques são uma forma que encontramos para trazer as mulheres para dar aquele pontapé. Quando tem comida e uma roda de conversa com assuntos mais amenos, conseguimos fazer as coisas fluírem mais naturalmente".  

Já a integrante do Movimento de Mulheres Negras de Sorocaba (Momunes), Maria Teresa, começou a ter contato com o feminismo através da filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por meio do qual esteve próxima a movimentos sociais. Entretanto, conheceu o feminismo negro por meio da União de Negros pela Igualdade (Unegro). Atualmente, busca colocar o racismo e o preconceito como tema central dos debates de que participa.  “Vivemos em um país aonde o racismo é estrutural e compõe as relações. As mulheres negras estão mais fragilizadas nessas relações raciais, pois vem de uma construção histórica que se dá a partir da escravidão”.

Ela afirma que leva a discussão sobre o feminismo negro, com o apoio da Coordenadoria de Igualdade Social, para a Secretaria da Educação. Também retrata o mesmo tema em escolas e Conselhos Municipais. "Sempre que somos chamados para falar sobre o racismo, fazemos o recorte do feminismo negro como um elemento da luta das mulheres e transformação da sociedade", destaca. 

Maria Teresa Ferreira é integrante do Momunes



Dificuldades enfrentadas pelos movimentos

Em relação aos desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência em Sorocaba, a idealizadora do Projeto Ampara destaca três: saúde, educação e transporte. Sobre saúde, sente a necessidade de especialistas na área e afirma observar dificuldades para conseguir recursos como medicamentos, fraldas e realização de exames. Já na área do transporte, critica a falta de acessibilidade e ônibus antigos que costumam quebrar frequentemente. Além disso, Gabriela ressalta os desafios enfrentados pelas mulheres com deficiência no feminismo. "A mulher com deficiência às vezes está querendo falar, mesmo em rodas de conversa, mas ela não é ouvida. Por isso precisamos que o movimento feminista esteja pronto para reconhecer essas mulheres".

Do mesmo modo, Giovanna destaca como dificuldade enfrentada pelas sorocabanas a falta de diálogo entre as redes de apoio para mulheres. Dessa forma, relembra uma ocasião em que o Rosa Lilás realizou um abaixo-assinado para que a Delegacia da Mulher funcionasse vinte e quatro horas por dia. Conseguiram mais de dez mil assinaturas e obtiveram como resposta a indisponibilidade de renda do governo estadual para atender ao pedido. "Nós fizemos também uma pesquisa com relação ao mapa da violência da mulher em Sorocaba. A cada quarenta dias, uma mulher é vítima de feminicídio. Então não é uma coisa isolada. Mulheres estão morrendo por conta da omissão do estado e do município".

A integrante do Rosa Lilás também ressalta a dificuldade enfrentada pelo coletivo no momento de levar pautas do feminismo para serem discutidas em escolas. Giovanna afirma que quando cedem espaço nas escolas para conversarem com os alunos, oferecem um tempo muito reduzido, equivalente à aula de apenas um professor. "Entendemos que a fase da adolescência é muito importante para as meninas descobrirem o empoderamento, pois é aí que começam os relacionamentos afetivos".

Já Teresa afirma a falta de informação como uma dificuldade. Além disso, faz uma reflexão sobre o movimento negro em Sorocaba. "Temos pessoas que se colocam como movimento negro, e isso é muito difícil de lidar porque hoje em dia não discutimos mais o movimento negro enquanto o movimento que fala só a respeito do preconceito. Hoje discutimos questões raciais. Em Sorocaba tenho a sensação de que ficou todo mundo muito estagnado nessas lutas pessoais de vaidade, poder ou demarcação de território, o que acabou fragmentando o movimento". Também elogia a nova gestão do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e coletivos feministas de Sorocaba, os quais, segundo ela, possuem uma visão mais ampliada e discutem essas questões sociais.





Participação política

Em relação à participação das pessoas com deficiência na política, Gabriela destaca benefícios dados e segregação por deficiência dentro do movimento PcD como dificuldades. "Todas as pessoas que me procuram querem fazer um projeto de lei para dar algo de graça. Não é isso que queremos. Se todos conseguem trabalhar, por que a pessoa com deficiência não pode estar no mercado de trabalho e ter autonomia para fazer o que todos fazem? Vai ter que adaptar e vai demorar um pouco, mas nós queremos isso: dignidade".

Por outro lado, ao comentar sobre a participação feminina na política de Sorocaba local em que apenas duas mulheres foram eleitas vereadoras na última eleição , Giovanna e Teresa destacam as cotas de candidaturas por gênero nos partidos políticos como recursos ainda utilizados apenas para estar de acordo com a lei, e não efetivamente para fazer com que mulheres realmente ganhem eleições.

Giovanna também faz uma análise do cotidiano: "Eu acho que tem a questão de que nós mulheres não fomos ensinadas que estar dentro da política é um ato e lugar para nós. Quando estamos em reunião de churrasco de família, onde estão as mulheres? Elas estão cuidando dos filhos, lavando louça e fazendo a comida. Enquanto isso, os homens estão conversando sobre a política. Inclusive, quando tem mulheres que entram nesses debates com a família, é muito fácil você ver a opinião delas sendo relativizada".

Do mesmo modo, Maria Teresa afirma que a questão do voto é reflexo de uma sociedade sorocabana que ainda é conservadora. E acredita que a união feminina pode aumentar o número de mulheres em cargos políticos nas próximas eleições. "Estamos vendo, por exemplo, nesse movimento contra o candidato à presidência Jair Bolsonaro o peso da mobilização feminina. Então, a partir do momento em que as mulheres vão tendo mais capacidade de olhar para si como agente transformador, mais elas vão se libertar dos grilhões que a prendem. Você vai se desprendendo desses indicadores de feminilidade para poder alcançar um posto maior: o de ser agente de transformação".





Texto: Carol Fernandes - Agência Experimental de Jornalismo (AgênciaJOR/Uniso)
Imagens: Arquivo Pessoal