terça-feira, 30 de abril de 2013

CULTURA
Dança de São Gonçalo resgata memória no Casarão de Brigadeiro Tobias

“Ora viva, ora viva, São Gonçalo”, este foi o verso mais cantado na primeira “Dança de São Gonçalo” realizada, na noite do último sábado, 27, e madrugada de domingo, 28, no Casarão de Brigadeiro Tobias, em Sorocaba. A manifestação de fé que ao mesmo tempo envolve a tradição popular reuniu cerca de 300 pessoas.

Organizado pelo tropeiro e pesquisador Álvaro Augusto Antunes Assis e pela pesquisadora Sônia Nanci Paes, o evento começa com a reza do terço que foi conduzida pelo aposentado Francisco Carlos Machado. Após cada mistério, ocorre a dança que é orientada por dois violeiros e cantadores. O altar ornamentado com flores do campo serve como abrigo para a imagem do santo que tem como principal característica a viola pendurada no pescoço, e por isso é considerado patrono dos violeiros.

Sônia explica que esta é uma oportunidade única de resgatar uma cultura que não ocorre há 30 anos, e que muitas pessoas, assim como antigamente, querem pagar suas promessas ao padroeiro, sendo a dança uma das formas de agradecer as graças recebidas. Ela diz ainda que o evento está fora da realidade urbana, pois os participantes são pessoas simples. “Esta realização é um divisor de águas, além de ser patrimônio imaterial, deixa a pessoa livre para expor sua alegria, não como forma teatral, mas sim como algo sério” completa.

Reencontro - Conforme os organizadores, o ambiente do casarão ajuda na familiarização entre as pessoas, possibilitando a interação e reencontro de muitos que não se viam há anos.

Após cada dança, um intervalo para o lanche. A organizadora lembra que as “festas do sítio” sempre tinham um café ou uma janta, por isso foi servido a macarronada e o “feijão gordo”, e durante a madrugada, o chá de capim-cidrão.

Para a autônoma Sônia Martins, que participou pela primeira vez do encontro, foi como conhecer as raízes dos próprios pais. “Lembrei de muitas coisas que minha mãe contava, mas nem imaginava como era”.

Os tocadores em cada verso falam da vida do santo protetor dos violeiros. Foto: Lucas William Machado Alves

Na dança, os devotos agradecem as graças recebidas. Foto: Lucas William Machado Alves

Cozinha do casarão, onde foram preparadas as refeições típicas do evento. Foto: Lucas William Machado Alves


Lucas William Machado Alves (AgênciaJor/Uniso)

1 comentários:

  • Anônimo says:
    30 de abril de 2013 16:21

    É muito bom o resgate das culturas populares,é valorizar não apenas o novo e sim tudo o que já foi vivido na história do povo.
    Parabéns aos organizadores e a bela reportagem...

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